Walter S. Barbosa[1]
“Matei um, matei dois, matei
três...”. Essas são frases comuns na boca de jovens, horas a fio sentados à
frente de games que espirram “sangue” para todo lado. Teria esse
condicionamento influenciado a ocorrência no Rio de Janeiro, sendo protagonista
um jovem sem amigos, à mercê do computador? “O monstro mora ao lado” diz Veja desta
semana, referindo-se ao episódio. Nosso problema é buscar fora o que está
dentro.
Os pais às vezes não concordam,
mas se sentem impotentes para coibir os games violentos. Afinal, “todos fazem”.
Além disso, profissionais da área da saúde dizem que não há problema algum. “É
apenas uma brincadeira”. Contudo, é extensa a lista dos tiroteios em escolas no
mundo, após o advento do computador: Estados Unidos (várias ocorrências),
Finlândia, China, Escócia, Alemanha, e agora o Brasil. Vimos repórteres
ansiosos para transmitir a notícia, querendo saber as causas. Será que vão conseguir?
A Internet diz que “teólogos não encontram causa religiosa para a violência”.
Sempre é bom lembrar: há somente
duas realidades na base de todo fenômeno: energia e consciência. Daquilo que é
a consciência cósmica (Deus em nós), vivemos uma parte infinitesimal. É o
Cristo que, segundo Paulo, deve um dia despertar em cada indivíduo. Para atuar
e se expandir no mundo a consciência utiliza três poderes ou “ministros”: Vontade,
Sentimento e Pensamento. A mente é o “cavalo” desses ministros.
Dizem os cientistas que o universo
está em permanente expansão. Mas há também os “buracos negros”, que tudo puxam
para si. Isso mostra um movimento para fora e outro para dentro. É o trabalho
relacionado com a Mente Universal que, no macrocosmo, é responsável pela criação
de toda forma: o cavalo, a flor, o inseto, a estrela. Em nós – o microcosmo – a
mente individual faz a mesma coisa. Somos co-criadores do universo.
Na maioria das pessoas a mente atua
para fora, crescendo na casca. Por isso também julgamos os outros pela “casca”,
e erramos muito. Nada sabemos sobre o lado interno dos fenômenos, sua
verdadeira causa, como efetivamente nada sabemos sobre a tragédia do Rio. Ignorando
a Lei de Causa e Efeito, apenas conjecturamos.
Quando cultivamos a violência,
mesmo num vídeo-game, acumulamos energia de violência no pensamento. Há um
tremendo engano em se achar que o pensamento fica confinado no cérebro. É uma
energia que permeia tudo, em todas as direções. A palavra também é poder,
gerando um “decreto”, dando força ao pensamento. Além disso, toda energia
contrária ao amor e à vida, antes de ferir o outro, danifica o corpo que a
alimenta.
Para Deepak Chopra, “A alegria e
realização nos mantêm saudáveis. A recordação de uma situação estressante, que
não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios
destrutivos que o estresse”. O homem é aquilo que ele pensa.
Nas doenças mentais (em
diferentes graus, talvez um mal do mundo),
o diagnóstico freqüentemente é um processo de tentativa e erro. As bulas dos remédios
são verdadeiros jornais. Com que autoridade pode-se dizer que game violento é
só brincadeira? O que se sabe sobre o poder do pensamento, em especial na
escuridão da mente obsessiva, vendo inimigos em toda parte sob o algoz da
frustração e do isolamento?
Na violência ou no amor, uma
coisa está por trás: a energia que move tudo. Se não temos consciência
suficiente para dominar e trabalhar a energia – como fazem os santos e yogues –
tendemos a acumular ódio, cedendo à influência mental do mundo. Aí a energia se
torna destrutiva, arrebentando do lado mais fraco, que pode ser alguém já com
“problema mental”. A ação pode ter ser sido individual, mas o carma é coletivo.
Para a indústria do lucro,
diversão é também a violência de filmes e novelas, onde atores esganam rivais
sob a arte mercantilista que dá mais energia à face obscura da humanidade.
Fazer parte desse jogo depende, porém, unicamente de nós.
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