quinta-feira, 26 de abril de 2012

Geração canguru: compartilhando reflexões



Dilma Caetano[1]
Alguns autores têm falado sobre um fenômeno social que vem ocorrendo nas últimas décadas denominado "geração canguru". Você ouviu algo sobre isto? Seus filhos, com mais de 25 anos, ainda moram em sua casa? Caso ainda vivam com você, saiba que as pesquisas mostram que 30% dos jovens na atualidade, com idade entre 25 e 37 anos, se mantêm na casa dos pais. Há uma adolescência estendida?

Na minha geração (década de 60) se casava muito cedo, aos 16, 18 ou 20 anos. Eu mesma me casei com 16 anos e meu irmão com menos de 23 anos, porém observo que meus filhos (década de 80) não estão se ocupando com o casamento e sim com a profissão e estruturação financeira. O que faz com que os jovens de hoje continuem morando com os pais? Voltemos nosso olhar algumas décadas atrás.

Você se lembra de se preocupar com seu peso, com a marca da sua roupa e calçados, se estava envelhecendo? Creio que sua resposta, assim como a minha é “não”. Não havia esse tipo de “pré-ocupação”.

Viver naqueles tempos era muito mais simples, pois seguíamos nossos dias naturalmente, sem essas "criações culturais" da atualidade, propagadas ostensivamente pela mídia, levando os jovens (só os jovens?) a se “pre-ocuparem” exacerbadamente com a forma do corpo (justamente com a parte perecível?), com o ter em detrimento do ser (consumir compulsivamente), com a crença de é preciso vencer profissionalmente para ser alguém (já não somos?).

Ainda, é preciso ser magro e se manter sempre jovem (a que preço?), ir às baladas (que são muitas), que geram mais necessidades (roupas, de preferência de marca famosa e muita bebida), entre outras invenções da atualidade. Tudo isso ocupando as mentes dos jovens em detrimento dos deveres enquanto cidadãos do mundo, tendo como premissa o dar e o receber na mesma proporção.

Mas o que isso tem a ver com a geração canguru? Bem, "manter-se em dia" suprindo essas necessidades criadas nas últimas décadas exige maior estrutura financeira, não é mesmo? Com todas estas "necessidades", o jovem precisa de um alto salário (o que leva tempo e determinação) para manter-se financeiramente fora da estrutura oferecida pelos pais. Isso me leva a pensar que essa geração canguru (anos 80 e seguintes), vem recebendo da minha geração (anos 60/70) a informação equivocada de que podemos receber sem necessariamente dar na mesma proporção; que é "legal" manter-se à custa dos pais, em detrimento das responsabilidades que caracterizam o adulto.

Claro que estou generalizando, pois sabemos que existem situações diferenciadas, ou seja, "cada qual com seu cada um e vice e versa". Outro dia, em uma sessão psicoterapêutica de casal, o marido queixou-se, falando à sua mulher: "Não acho certo você incentivar nossa filhinha (30 anos) a ter sua própria casa. Ela deve sair quando e se ela quiser". Será mesmo assim?

Precisamos, como pais e educadores (educar = tirar de dentro), auxiliar nossos filhos a ocuparem o lugar que lhes é devido, que implica responsabilidade perante o próprio crescimento. Tenho auxiliado meus filhos a ocuparem o lugar que lhes é devido nesta vida?


[1] Psicóloga, membro da Sociedade Teosófica e da Universidade Livre para a Consciência.

Um comentário:

bruna b disse...

Muito bom o seu ponto de vista sobre o assunto! Parabéns.